“É preciso conviver com a dificuldade”, diz Mano Menezes, satisfeito com o 1×1 diante do Santo André.
O técnico queixou-se, uma vez mais, da necessidade de improvisar. Colocar um meia como Marcinho na lateral esquerda. Morais, que nada tem a ver com Douglas nem com armação, tentou criar e quebrou a cara.
Resultado, o Azulinho mandou no jogo, teve chances de sobra até para golear, não fossem Felipe e seus milagres.
Contra o Avaí, Dentinho já está fora, suspenso.
Talvez o jeito seja escalar Souza desde o início. Pelo menos é um centroavante de ofício, que não vai se intimidar com pressão da torcida, com responsabilidade do jogo etc.
É isso aí.
Com paciência, vamos chegar em algum lugar
30 de julho de 2009A resposta tem de ser dada hoje, Maninho
29 de julho de 2009O Azulzinho, vizinho de muro do Azulão, não perdeu do Timão nos tres enfrentamentos recentes, que inauguraram nova era na próspera cidade do ABC, terra do amigo Fernando Fernandes.
Acho que a derrota do Marcelinho Carioca, e especialmente do time do Ronan Maria Pinto, dono do ‘Diário do Grande ABC’, será esta noite.
Os caras que estão com esse Ronan, ditos acionistas investidores de uma camisa de aluguel (sim, porque o clube mesmo não tem nada a ver com isso, só com os sócios), estão a fim de grana.
É a moda, não apenas no ABC, mas no business que virou o futebol.
OK, Marcelinho está jogando o fino. Mas o Mano deve ter pensado numa boa estratégia para neutralizá-lo. Não é chegado numa marcação homem-a-homem, senão o Moradei grudava no baixinho e os dois sairiam expulsos, não teria jeito. Por zona, é importante ter atenção nos movimentos do 7, que está perto de se aposentar mas bate na bola como um 10 tipo Douglas.
Para derrotar o Santo André, o Ronan e esses neocapitalistas da bola, basta um pouco de inteligência.
E toque de bola, claro. Vamos ver se esse Henrique sabe das coisas. Vai nessa, garoto!
Saindo das brumas
29 de julho de 2009Até o Lula chiou.
Por que eu não?
Porque uns dias para esfriar a cabeça, depois da sapatada que levamos do Verdão, serviram para rearrumar as idéias.
O Mano vai reorganizar tudo, vai dar um jeito nesse desmonte.
Digo mais. Se os outros facilitarem, o Coringão voltará com tudo, em setembro, com Fenômeno Metaleiro. Isso mesmo, cheio de parafuso na mão esquerda, que é pra se defender desses volantes desaforados como o Souza, que não sabe fazer outra coisa senão acossar, marcar, destruir, bater.
Logo, teremos a volta.
O desmonte assusta. Mas Mano segura a onda
23 de julho de 2009O sonho durou até a conquista da Copa do Brasil. Desde então, os sobressaltos perturbam o sono de cada corintiano. Em vez de devaneios em torno da Libertadores do Centenário, ladrões de casaca e cartola conspiram para roubar nossos melhores craques.
Começou a revoada com André Santos e Cristian, apenas dois dos melhores desse grupo montado por Mano Menezes. Com rigor técnico e aplicação tática, o lateral e o volante deixaram sua marca na história mosqueteira, com lances incríveis, gols inesquecíveis, decisivos. Mas, especialmente, um traço chama a atenção na dupla. Eles se confessam corintianos e maloqueiros.
André Santos tem o coração alvinegro desde o berço, isso já se sabia.
Cristian, um mineiro que certamente cresceu polarizado entre Galo e Raposa, viveu o melhor de sua carreira no Parque São Jorge. Trabalhou muito, como é seu estilo, carregando piano na proteção à defesa. E teve justas recompensas nos títulos que ajudou a arrebatar (foram 3 em menos de um ano) e no reconhecimento retribuído pela Fiel. Daí seu choro convulsivo na despedida, terça-feira passada. Com a confissão desabrida de que aprendeu, nesses meses, a amar o Corinthians.
Salve os dois maloqueiros. Graças a Deus!
Voltando à demolição. Douglas, segundo o próprio técnico, está praticamente negociado com um clube árabe. Felipe pode ir para a Rússia. Dentinho vai passar uma temporada no Estoril, mas de verdade, ninguém vai sentir muito a falta dele. Elias quer aumento para ficar (coça o bolso, Andres). E ainda tem Chicão, Dentinho, até o Dodô que nem estreou…
Mano, no início desse pesadelo, tranquilizou a Fiel. Disse que virão peças de reposição à altura.
Complicado, Mano. Peça é tudo o que Cristian não é, porque entregou seu coração e sua alma à causa do Timão, nesse sentido será insubstituível.
Jucilei pode dar conta do recado, mas nem de longe cobrirá a lacuna aberta pelo camisa 6.
Na esquerda, pode ser que os garotos Dodô e Bruno Bertucci vinguem. E não se pode esquecer também do esforçadíssimo Marcelo Oliveira. Mas quem vive no futebol sabe que uma aposta é sempre uma aposta. Por ali já passaram Roger, Edson, Vinícius, Moreno. E só André deu conta do recado plenamente.
Nosso comandante dos pampas sabe que não será fácil. Mas ele pegou mesmo o touro pelo rabo no ano passado, quando ninguém tinha forças nem mesmo para juntar os cacos do rebaixamento. Deu no que deu. Vamos em frente, Mano.
Seis meses é tempo mais que suficiente para entrosar um grupo novamente vencedor para 2010.
Cruzeiro vem mordido. Todo cuidado não é pouco
19 de julho de 2009Às portas do tri da Libertadores, quebrou a cara e a coragem. Onde estava Kléber, o Gladiador? O que foi feito de Wágner, o criativo armador? Cadê os milagres de Fábio?
Tudo isso evaporou com o baile argentino no Mineirão, com direito a gozação da massa atleticana.
Muito justo.
Pois mais justo ainda será o Timão entrar precavido no gramado do Mineirão, porque cobra mordida vira o bixo.
Se não deu com os gringos, Kléber vai querer mostrar serviço para sua galera em cima do Diego, do Cristian. Significa que nossos craques terão de encarnar a alma portenha do Estudiantes, feita de garra mas especialmente de sabedoria. Nada de entrar no jogo mineirinho, que parece manso mas quer mesmo é ferrar mosqueteiro.
O Mano sabe das coisas e vai instruir a rapaziada para ir para o jogo com toda concentração de uma final de Brasileiro. Libertadores?
Nós já estamos, e eles, só se no fim do ano emplacarem uma das quatro vagas.
Não tá fácil pro Timão?
Ronaldo, 0,666 gol por jogo. Fenomenal demais
17 de julho de 2009OK, estamos no segundo semestre, mas vale observar: Ronaldo só estreou na noite de 4 de março, no interior do Brasil, nos 2×0 em cima do Itumbiara.
Primeiro degrau do tri.
Quatro dias depois, ele deixaria seu nome gravado mais uma vez, agora na mídia internacional. Seu gol de cabeça aos 47′ do 2º, contra o Palmeiras, no domingo 8 de março, bateu todos os recordes de replay na televisão. A marca ‘Visa’, que aparecia estampada na camisa branca, áquela época sem patrocínio fixo, ganhou as televisões do mundo inteiro, num case que entrou imediatamente para a história da publicidade. E o autor da façanha, diretor de uma agência paulistana, ganhou por conta disso muitos clientes novos.
São 24 partidas disputadas, algumas entrando no segundo tempo, como regra 3. Em outras, enfrentando marcação dupla ou tripla. Sempre, atormentando quem tenta pará-lo. Afinal, seus 16 gols são a prova cabal de sua competência.
Até o final da temporada, o Fenômeno estabeleceu a meta de 30 gols. Com os 16 feitos, superou a metade. E, até lá, terá cerca de 27 partidas para realizar, apenas no Campeonato Brasileiro. “Aqui no Corinthians tem acontecido coisas inexplicáveis”, disse satisfeito Ronaldo, ao sair para o intervalo, no Pacaembu. Inexplicável, vírgula, Ronaldo. Com a Fiel cantando aqueles hinos irresistíveis nos seus ouvidos, não tem artilheiro que fique parado. Funciona tudo. Pé direito, pé esquerdo, cabeça, orelha, joelho…
(Ronaldo não lembra porque tinha só um ano quando Palhinha marcou um gol de cara na primeira das três decisões contra a Ponte Preta, em 1977. Quer dizer, o Corinthians, de tão incrível, inventou o gol de cara – a quem não lembra, como Ronaldo, eu reconto: Palhinha recebeu lançamento longo, avançou contra o goleiro Carlos, da Ponte, e chutou; o goleiro rebateu, a bola chocou-se contra o rosto do atacante e voltou para estufar as redes. Palhinha desmaiou no lance).
O negócio é atropelar o morto chamado Cruzeiro
16 de julho de 2009Tudo o que sobe, desce.
Assim falou Galileu e, antes dele, os assírios.
O Cruzeiro mobilizou todas as suas energias, e mais um pouco, para conquistar o tri da Libertadores.
Fez uma campanha memorável. No primeiro jogo da decisão, sustentou empate sem gols na Argentina. Voltou para a segunda decisão com uma mão na taça.
Bastaria um gol. E ele veio, no início do segundo tempo.
Só que o Estudiantes, sem pressa e com inteligência, reagiu com dois. Pronto, liquidou o sonho 2010 do Cruzeiro.
A recuperação não será fácil. Ainda mais porque o primeiro jogo será contra o Timão, domingo, no Mineirão.
O fator campo vai pesar?
Só se a torcida lotar o Mineirão, algo que parece impensável nessa altura.
Só se o time, que não terá Ramires, Kleber nem Wagner, esquecer os padecimentos daquela derrota da noite para o dia, algo que soa surreal.
Só se o Timão, que já festejou o tri da Copa do Brasil, escorregar em alguma maionese. Isso, claro, se Mano permitir, hipótese improvável.
Taí um jogo que não dá pra perder.
Me cobrem no domingo à noite!
Uma data esquecida, felizmente, pelo penta
16 de julho de 2009Por muitos anos, o 16 de julho foi sinônimo de baixo astral, de derrota.
A maldição acabou. Mesmo porque, ocorrida num longínquo 1950, quando o Brasil, imaginem só, era uma naçao essencialmente agrícola, a perda do título mundial mais certo de todos os tempos gerou, no inconsciente pátrio, uma culpa eterna. Que não se esgotou no 1×2 do Maracanã lotado por 200 mil brasileiros. Espalhou-se por todos os poros da nação, responsabilizando cada degrau de responsabilidade e atribuindo a fatores secundários a origem da tragédia.
A começar pela cor da pele. Barbosa foi condenado para o resto da vida, como ele próprio comentaria muitos anos mais tarde, por ter tomado dois gols fatais. O goleiro de cor morena ou escura só seria aceito, de novo, no limiar do milênio, com o baiano Dida. Os que vieram antes, como Barbosinha, Orlando, esses jamais foram aceitos, até mesmo pela Fiel.
Mas o País mudou, o futebol brasileiro evoluiu. Em 58, veio o primeiro título, e o Brasil não parou mais de vencer.
Naquela seleção de 50, comprometida pela politicagem até na escalação, o Corinthians teve um único representante, Baltazar, o Cabecinha de Ouro. Praticamente não jogou, porque o técnico Flávio Costa, que comandava o Vasco, gostava de escalar o ataque do…Vasco. E dá-lhe Maneca, Friaça, Ademir Menezes, Chico…
Os 22 eram estes: Barbosa, Castilho, Augusto, Ely do Amparo, Juvenal, Nena, Nilton Santos, Bauer, Bigode (o que levou o drible de Gigghia), Danilo, Noronha, Rui, Adãozinho, Ademir, Alfredo, Baltazar, Chico, Friaça, Jair Rosa Pinto, Maneca, Rodrigues e Zizinho.
Vingança, não. Apenas, uma vitória reparadora
16 de julho de 2009Hoje tem Sport, de Leão, de Copa do Brasil de 2008, quem já esqueceu?
Certo, um ano atrás o Timão não estava com aquela bola toda, não tinha Douglas, nem Cristian, muito menos os craques que, como Ronaldo, só chegaram este ano.
Mas ficou aquele travo amargo, porque o Sport de Nelson Batista fez os 2×0 que necessitava e despachou o sonho corintiano do tri da competição.
Tudo bem que o freguês seria o Inter. Freguês, sim, porque além de jogar na cara dos dirigentes gaúchos prepotentes a confirmação do título brasileiro de 2005, que eles nunca engoliram (e o Timão com isso, os colorados que reclamassem no Clube dos 13, na CBF, na casa do bispo!!!), demos um banho de bola, tático e técnico, no Paca e no Beira-Rio.
Mas chega de judiar dos coitados colorados, que só sabem o que é perder no ano do centenário deles. Nesta quinta-feira à noite, a Fiel quer fazer a festa em casa, com o Fenômeno, quem sabe?, repetindo o show da semana passada em cima do Flu, e a defesa se ajeitando com a volta de Chicão.
Até a noite, torcida fiel e companheira!!!
Falou como torcedor. Agora, fala como patrão
14 de julho de 2009O diretor vice-presidente do Inter, acaba de se revelar por inteiro.
Que um cartola peque pelo fanatismo, vá lá. Mas atirar contra o próprio pé é burrice. Isso, para dizer o mínimo.
Nas vésperas da decisão da Copa do Brasil, o dirigente do Inter encomendou uma edição de DVD contendo uma coleção de supostos erros de arbitragem que favoreceram o Corinthians, seu adversário. Tais erros, argumentou, é que permitiram ao clube paulista alcançar a etapa final.
O mundo inteiro viu que o feitiço funcionou contra. O Inter jogou uma partida apática e, quando sobreveio a catarse tão esperada, ela veio na forma de um inominável vexame do jogador D”Alessandro, cometendo atos de pugilato no gramado e sendo justamente expulso por isso.
Claro que o Inter não perdeu a decisão por conta do argentino. O descontrole de seu diretor, convocando a imprensa para denunciar uma conspiração que só ele viu, afetou toda a torcida e carregou o time para o inferno, destino para o qual o mesmo diretor tinha prometido despachar o Corinthians.
D”Alessandro foi suspenso por 60 dias, nesta segunda-feira. Na manhã seguinte, terça, o cartola colorado posou de patrão, insinuando punições ao empregado :
“Isso (a suspensão) vai servir de reflexão para o D”Alessandro, vamos tratar do caso internamente (sic). Só que ele tem que cuidar para que isso não volte a acontecer. Esse episódio serve de exemplo a todos aqui no clube.”
E o episódio do DVD, que numa tosca análise freudiana, detonou o processo da catarse, não vai punir seu autor?
Coisas do futebolzinho brasileiro.
Em tempo: ao pleitear efeito suspensivo para o argentino, os advogados do Inter citam o caso de Dentinho, suspenso por suposta cotovelada em Rafael Moura, do Atlético Paranaense, pena depois sustada. A analogia é grotesca. A infração de Dentinho, se é que existiu, não foi marcada pelo árbitro, que seguindo a mesma lógica, não mostrou cartão. O tribunal da CBF é que exorbitou de funções, avocando através de imagens da televisão, uma responsabilidade que, pelas leis da Fifa, pertence integralmente do homem de preto.