Caso Andrés Sanchez: Comissão de Ética do Corinthians avança em apuração e MP pede tornozeleira
março 22, 2026Créditos: Dall-e
Os bastidores do Corinthians vivem um momento que vai muito além de bola rolando. Enquanto o elenco profissional tenta se reorganizar após a eliminação no Paulistão, a política interna do Parque São Jorge ferve com o avanço de investigações sobre o uso do cartão corporativo do clube pelo ex-presidente Andrés Sanchez. Em duas frentes — uma administrativa, dentro do próprio Corinthians, e outra criminal, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo — o caso ganha novos desdobramentos a cada semana e pode resultar em punições que vão da expulsão do quadro social até consequências penais.
O que a Comissão de Ética descobriu até agora
A Comissão de Ética e Disciplina (CE) do Corinthians registrou um avanço importante na última quinta-feira, 26 de fevereiro, quando finalmente recebeu as faturas integrais do cartão corporativo utilizado por Andrés Sanchez durante seu segundo mandato como presidente, entre 2018 e 2020. Os documentos, que haviam sido solicitados à diretoria do clube desde o início de fevereiro, foram anexados aos autos do procedimento com auxílio do departamento de TI.
Com as faturas em mãos, o presidente da Comissão, Leonardo Pantaleão, emitiu um ofício detalhando o rito processual e listando 50 despesas específicas registradas no cartão corporativo de Andrés. O valor total dessas transações ultrapassa R$ 180 mil, e a Comissão exige que a defesa do ex-presidente explique a natureza de cada gasto, comprove eventuais reembolsos ao clube e apresente documentação que sustente todas as alegações.
A audiência com Andrés será realizada por videoconferência — levando em conta as restrições judiciais que o impedem de frequentar o Parque São Jorge — e deverá ser agendada em até dez dias. A presença do ex-presidente é facultativa: caso ele opte por não comparecer, a Comissão manterá válido o depoimento que Andrés já prestou à Comissão de Justiça, em dezembro de 2025. Após a audiência, será aberto prazo de cinco dias para apresentação de defesa final.
A cronologia interna: de julho de 2025 até hoje
O caminho até este ponto foi longo e cheio de reviravoltas. A investigação interna teve início em julho de 2025, quando a Comissão de Justiça (CJ) do Conselho Deliberativo começou a apurar o uso dos cartões corporativos do clube. O caso ganhou visibilidade pública após um perfil de redes sociais divulgar uma fatura de dezembro de 2020, no valor de R$ 50 mil, com despesas pessoais incluindo hotel, salão de cabeleireiro e serviços da Apple.
Andrés Sanchez confirmou os gastos pessoais e efetuou um reembolso de R$ 15 mil ao clube — valor corrigido a partir dos R$ 9.416 originais. A devolução, no entanto, não encerrou a questão. Em janeiro de 2026, a Comissão de Justiça concluiu um relatório parcial classificando a conduta do ex-presidente como gestão irregular e temerária, recomendando que o caso fosse encaminhado à Comissão de Ética para possíveis punições.
A partir daí, o procedimento enfrentou idas e vindas: a Comissão de Ética abriu processo em 27 de janeiro, pediu documentação à diretoria em 5 de fevereiro, teve o procedimento suspenso brevemente após questionamentos do MP-SP e retomou os trabalhos em 13 de fevereiro, quando o Conselho Deliberativo revogou a suspensão e estendeu o prazo para resposta da diretoria. Agora, com as faturas finalmente nos autos, o processo caminha para a fase conclusiva.
O que Andrés Sanchez pode enfrentar dentro do clube
As punições previstas no Estatuto do Corinthians variam conforme a gravidade da conduta apurada. No caso de Andrés, as possibilidades vão de advertência e suspensão até a expulsão definitiva do quadro de associados. Considerando que o relatório da Comissão de Justiça já classificou os gastos como gestão irregular, a tendência é de que a Comissão de Ética recomende uma das sanções mais severas.
Após a conclusão da análise pela CE, o parecer será encaminhado ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, que colocará o tema em votação no plenário. Se aprovada a recomendação de expulsão, Andrés Sanchez perderia o status de conselheiro vitalício e membro do Conselho de Orientação (CORI) — cargos que mantém desde que deixou a presidência em 2020.
Um detalhe importante é que o Estatuto do Corinthians não possui, até hoje, uma regulamentação específica sobre o uso de cartão corporativo por dirigentes. Ainda assim, a Comissão de Justiça entendeu que isso não justifica o uso de recursos do clube para fins pessoais e que a ausência de norma não isenta o responsável de prestar contas.
A frente criminal: MP-SP e o pedido de tornozeleira
Paralelamente ao processo interno, Andrés Sanchez enfrenta uma ação criminal conduzida pelo Ministério Público de São Paulo. A denúncia, formulada pelo promotor Cássio Conserino, aponta mais de 200 despesas pessoais realizadas com o cartão corporativo do Corinthians entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. Os gastos incluem relógios importados, roupas de grife, itens de supermercado e atendimentos médicos — todos com o nome de Andrés nas notas fiscais. O prejuízo estimado, com correção monetária e juros, chega a cerca de R$ 581 mil.
O ex-presidente foi denunciado por apropriação indébita agravada continuada, lavagem de dinheiro e falsificação de documento tributário. Roberto Gavioli, superintendente financeiro do clube na mesma gestão, também é réu pelos dois primeiros crimes. O MP-SP pede que ambos devolvam os valores integrais ao Corinthians e paguem multa por danos morais, elevando o total cobrado para cerca de R$ 1,1 milhão.
No dia 25 de fevereiro, o cenário ficou ainda mais grave. O promotor Cássio Conserino solicitou à Justiça que Andrés passe a usar tornozeleira eletrônica, alegando descumprimento de medidas cautelares. O ponto central é um contato telefônico que o ex-presidente teria feito com Antonio Jorge Rachid, secretário-geral da diretoria do Corinthians, em 30 de janeiro — violando a proibição judicial de comunicação com dirigentes do clube. Rachid confirmou a ligação em depoimento.
Além da tornozeleira, o MP pediu a apreensão do passaporte espanhol de Andrés para evitar eventual fuga ao exterior, e requereu acesso aos registros telefônicos do ex-presidente entre 30 de dezembro de 2025 e 25 de fevereiro de 2026 para verificar outros possíveis contatos proibidos. A defesa de Andrés considera as medidas desproporcionais e argumenta que o próprio Corinthians nunca atestou oficialmente qualquer irregularidade no cartão corporativo.
O contexto maior: governança no futebol brasileiro
O caso Andrés Sanchez não é um episódio isolado. Ele se insere em um momento em que a governança dos clubes brasileiros está sob escrutínio cada vez maior — impulsionada pela consolidação das SAFs, pela presença de investidores externos e por uma cobrança crescente de transparência por parte de torcedores, conselhos e órgãos reguladores.
No próprio Corinthians, a investigação dos cartões corporativos não se limitou a Andrés. O Ministério Público também apura gastos durante as gestões de Duilio Monteiro Alves (2021–2023) e Augusto Melo (2024–2025), configurando uma varredura ampla que cobre quase uma década de administrações. A torcida corintiana, historicamente combativa, tem acompanhado o processo de perto e pressionado por punições exemplares.
Para quem acompanha o futebol brasileiro com paixão e gosta de apostar em futebol, entender o que acontece fora das quatro linhas é tão importante quanto analisar escalações e táticas. A saúde institucional de um clube impacta diretamente seu desempenho esportivo — do poder de contratação à capacidade de reter suas maiores promessas, como o caso André mostrou neste mesmo fim de semana.
O que esperar dos próximos dias
A agenda do caso Andrés Sanchez nas próximas semanas está definida. A audiência da Comissão de Ética por videoconferência deve acontecer até meados de março. Após a oitiva e a defesa final, a CE emitirá seu parecer, que seguirá para votação no Conselho Deliberativo. Na esfera criminal, a Justiça de São Paulo avaliará o pedido de tornozeleira e apreensão de passaporte, enquanto o TJ-SP decidirá sobre a continuidade do processo penal.
O Corinthians, enquanto isso, segue sua temporada com Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores pela frente. A pausa de dez dias no calendário, provocada pela eliminação no Paulistão, dá ao elenco de Dorival Júnior um respiro raro — mas nos bastidores do Parque São Jorge, o ritmo não desacelera. Para os torcedores que vivem a intensidade de cada rodada, seja nos estádios ou participando de um bolão futebol entre amigos, resta acompanhar de perto os desdobramentos de um caso que pode redesenhar o mapa político do clube.
Uma coisa é certa: no Corinthians, a bola nunca para de rolar — mesmo quando o jogo mais importante está sendo disputado longe do gramado.
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