Lateral diz em depoimento que desconhece o termo 'macaco' para ataque racista


Lateral diz em depoimento que desconhece o termo ‘macaco’ para ataque racista

“É que em Portugal, não se faz esse tipo de comentário quando se quer falar algo preconceituoso, e ele desconhecia que isso era utilizado no Brasil”

Lateral reafirmou que não proferiu ofensa racista ao atleta Edenílson

Categorias: Grandes clubes de São Paulo

Por: Agência Estado, 31/05/2022

Rafael Ramos nega ter usado termo racista contra Edenilson (Foto: Reprodução/Instagram)

São Paulo, SP, 31 – O lateral-direito Rafael Ramos, do Corinthians, reafirmou nesta terça-feira que não proferiu ofensa racista ao meio-campista Edenílson, do Internacional, durante a partida de 14 de maio, no Beira-Rio, em Porto Alegre. O atleta depôs na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SP), para um expediente disciplinar em andamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Rafael Ramos disse no depoimento que o termo “macaco”, citado por Edenílson como ataque racista, não é utilizado em Portugal, seu país, nas manifestações preconceituosas. “Uma coisa importante que ele disse hoje, que precisa ser muito ressaltada. É que em Portugal, conforme ele mencionou, não se faz esse tipo de comentário quando se quer falar algo preconceituoso, e ele desconhecia que isso era utilizado no Brasil”, disse Daniel Bialski, advogado contratado pelo Corinthians.

Rafael Ramos nega ter usado termo racista contra Edenilson (Foto: Reprodução/Instagram)

Segundo Bialski, um laudo feito pela defesa com declarações de colegas a favor de Rafael Ramos será juntado aos autos. “Ele reafirmou o que já tinha dito várias vezes não somente no depoimento oficial que prestou em Porto Alegre, mas em todas as declarações, de que em momento algum ele ofendeu de forma racista o Edenílson.”

O próximo passo do STJD será ouvir Edenílson na próxima segunda-feira. Rafael Ramos pode ser enquadrado no artigo 243-G do Código brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): “Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. A punição pode ser de suspensão por até 360 dias e de multa de R$ 100 a R$ 100 mil.

Durante o empate, por 1 a 1, entre Internacional e Corinthians, a partida ficou parada aos 30 minutos do segundo tempo após Edenílson reclamar que teria sido chamado de “macaco” por Rafael Ramos. O jogador português negou a acusação de racismo e acabou sendo substituído para a entrada de Gustavo Mosquito.

PAGOU FIANÇA

Rafael Ramos chegou a ser preso em flagrante depois de ter sido acusado de racismo. O jogador foi autuado por injúria racial e detido no posto policial do estádio Beira-Rio. Ele foi solto depois que o Corinthians pagou R$ 10 mil de fiança. O jogador do Corinthians se defende na esfera criminal, em investigação conduzida pela Polícia Civil de Porto Alegre.

Nas redes sociais, Edenílson disse que “sabe o que ouviu” e que chegou a procurar Ramos para que ele “pedisse desculpas”. “Afinal, todos erramos e temos o direito de admitir, no meu modo de ver as coisas. Mas o mesmo continuou a dizer que eu havia entendido errado. Eu não entendi errado, o procurei pelo respeito que tenho por alguns integrantes do Corinthians e para que ele pudesse ter uma chance de se redimir, pois independente da nossa cor o caráter falará mais alto. Enfim, peço desculpas por não estar preparado para reagir a algo desse tipo”, escreveu o atleta do Internacional.

Rafael Ramos disse que “foi apenas um mal entendido” e revelou ter conversado com Edenílson. Segundo o lateral, o volante do Inter teria entendido errado a palavra que ele falou. Quando Edenílson se manifestou, contudo, foi para confirmar sua versão do fato e para dizer que a denúncia estava mantida.

Wilson Baldini Jr.

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