Rafael Ramos presta depoimento ao STJD e volta a negar injúria racial contra Edenilson

O lateral-direito do Corinthians, Rafael Ramos, prestou depoimento ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta terça-feira. O atleta depôs no início desta tarde, dentro da Federação Paulista de Futebol (FPF), e deu sua versão dos fatos sobre o suposto caso de injúria racial contra Edenilson, do Internacional.

De acordo com o ge.globo, o jogador foi acompanhado pelo gerente de futebol Alessandro Nunes e do advogado Daniel Bialski. O profissional contratado pelo Corinthians é conhecido por advogar para a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Após o depoimento, o advogado de Ramos afirmou que o jogador negou a ofensa a Edenilson. Além disso, destacou que o termo "macaco", o qual o volante do Internacional alega ter escutado durante a partida, não é utilizado em manifestações preconceituosas em Portugal, seu país de origem.

"Uma coisa importante que ele disse hoje, que precisa ser muito ressaltada. É que em Portugal, conforme ele mencionou, não se faz esse tipo de comentário quando se quer falar algo preconceituoso, e ele desconhecia que isso era utilizado no Brasil", disse o advogado.

"Ele reafirmou o que já tinha dito várias vezes não somente no depoimento oficial que prestou em Porto Alegre, mas em todas as declarações, de que em momento algum ele ofendeu de forma racista o Edenílson", completou Daniel Bialski.

Bialski ainda disse que um laudo foi apresentado pela defesa e que um segundo será feito. Nas palavras do advogado, as declarações de colegas em defesa do lateral serão anexadas aos autos.

Vale lembrar que o inquérito é conduzido pelo auditor Paulo Feuz, que escutará Edenilson no próximo dia 6 de junho. De acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, no artigo 243-G, um ato discriminatório pode ter pena de cinco a dez partidas e multa até R$ 100 mil.

Além de ser investigado pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, o caso de Rafael Ramos também está na esfera criminal. A Polícia Civil de Porto Alegre, onde tudo aconteceu, também faz investigação.

O caso

O suposto caso de injúria racial aconteceu no empate por 2 a 2 entre Corinthians e Internacional, no Beira-Rio, no último dia 14 de maio. Edenilson acusou Rafael Ramos de ter o chamado de "macaco". O lateral corinthiano foi preso em flagrante, mas acabou solto após pagar fiança de R$ 10 mil.

Após a liberação, Rafael Ramos negou que tenha chamado Edenilson de "macaco" e disse que houve um mal-entendido entre as partes. Segundo o português, um palavrão foi dito, mas em razão de seu sotaque, o brasileiro pode ter entendido errado. Nas redes sociais, o volante do Internacional disse "saber o que ouviu".

No último dia 20 de maio, quase uma semana após o ocorrido, uma perícia contratada por Rafael Ramos confirmou que o jogador não utilizou o termo "macaco" direcionado ao adversário. De acordo com os profissionais, o atleta disse "Pô, caral**".

Veja mais em: Rafael Ramos, STJD e Corinthians x Internacional.